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mar 04

SEGURANÇA E FAMÍLIA

Para falar de segurança é preciso antes de mais nada definí-la.
O que é segurança?
Segundo o dicionário Aurélio, segurança é condição daquele em que se pode confiar; garantia; confiança em si mesmo.
Seguro é aquele que está livre de perigo; protegido; que não hesita, é firme.
Pode-se afirmar que a pessoa segura está bem com ela e com o meio.
Considero que podemos dividir a segurança em dois tipos: a segurança externa e a interna.
A segurança externa que é estabelecida pelos policiais, políticos, autoridades, a sociedade enfim, encontra-se fragilizada.
Basta observar que estão transferindo a responsabilidade deles para a população ( o referendo a ser votado em 23/10/05 é um exemplo deste descompromisso).
Esta segurança que nos permite viver sem riscos num mundo de perigos está desautorizada pela corrupção, pelas drogas e pela falta de valores!
Estamos vulneráveis, estamos inseguros… Por isso temos que desenvolver a nossa segurança interna.
Segurança interna é aquela que nos empurra para frente, que nos permite ter auto-cuidado, que mostra que somos capazes, que é constituída na família e formada dentro de cada um de nós.
“A criança que conhece a segurança no estágio inicial, começa a alimentar a expectativa de que nunca lhe faltarão, nem a abandonarão”. (Winnicott p105, 1999).
A família que constitui a segurança na criança deve ser coesa e oferecer as necessidades básicas a elas, ou seja, cuidados.
Segundo Capelatto (2001) “família é o conjunto de pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas, por uma dinâmica chamada afetividade”.
É a ela que cabe a primeira etapa de socialização e estruturação da criança.
A afetividade traduz-se numa relação de amor, onde os pais cuidam dos filhos. O cuidado é que faz a criança se sentir segura e deve ser desenvolvida no íntimo de cada uma, com a crença em algo que é confiável e duradouro, que é recuperável se se perder.
Este porto seguro é a família, que até mesmo os adultos necessitam, pois proporciona a sensação de raiz, de um lugar para se voltar quando não se tiver mais para onde ir.
O ser humano é o animal que permanece por maior tempo sob os cuidados dos pais.
Afetividade é cuidado.
Cuidado é tempo oferecido em forma de contato físico (abraços, carinhos), de “nãos”, de limites, de rotina.
O indivíduo que recebe cuidado é aquele que não transpõe os limites que o colocam em perigo, transpõe os limites para o seu crescimento e amadurecimento e tem respeitado os limites de sua individualidade.
Crescer, desenvolver-se é superar limites… “Educar uma criança, longe de ser apenas impor-lhe limites, é, antes de mais nada, ajudá-la cognitiva e emocionalmente a ir além”.(La Taille, pg 14)
Cuidar não é sinônimo de mimar ou constranger.
A criança mimada é aquela que tem todos os obstáculos retirados do seu caminho e então não aprende a frustar. Não sabe administrar um não e torna-se insegura, pois cada vez que surge uma dificuldade não sabe como agir e o que sentir.
A criança constrangida é aquela que não tem respeitado os limites de sua individualidade ficando exposta e tendo suas ações expostas a estranhos.
A coerência familiar aparece de forma equilibrada na vida da criança, contribuindo com seu desenvolvimento. Oferece liberdade sem abandonar e protege sem sufocar.
Portanto falar em segurança infantil sugere que falemos de família.
Conseqüentemente temos que fortalecer a família trazendo-a para a sociedade, oferecendo apoio, orientando e valorizando seu papel de formadora, através de iniciativas como essa.

Bibliografia

– Bettelheim, Bruno – Uma vida para seu filho. Círculo do livro
– La Taille, Y. – Limites: três dimensões educacionais. Ed. Ártica. 3ª edição.2000 – SP
– Winnicott, D.W – Conversando com os pais – Ed. Martins Fontes – 1999 – SP
– Capelatto, I – Diálogo sobre a afetividade: o nosso lugar de cuidar. Ed. Viraser 2001 – Londrina/PR
– ONG Vir a Ser – e-mail: viraser@hotmail.com e home page: www.viraser.hpg.com.br

 

Elza Brígida Anequini
Pedagoga Clínica (Especialista na alfabetização de Deficientes Mentais) e Terapeuta Ocupacional Clínica (Especialista em Neurologia com visão Dinâmica) em Lins e Marília.
Especializanda em Saúde Mental pelo Método Dinâmico de Terapia Ocupacional.
Professora do Unisalesiano no Curso de Terapia Ocupacional.
Membro do CETO – Centro de Estudos de Terapia Ocupacional.